Controle de caixa: como fazer o fechamento diário

Aprenda a fazer o controle de caixa diário: abertura, sangria, fechamento por forma de pagamento e o que fazer com sobra ou falta.

controle de caixa

O controle de caixa diário termina com o fechamento: a conferência, no fim do expediente, entre o dinheiro e os valores que deveriam estar no caixa e o que você registrou durante o dia. Para fazer, você parte do saldo inicial, soma as entradas, subtrai as saídas e compara o resultado com o que existe de fato. Se os números batem, o dia está fechado. Se não batem, você investiga a diferença ainda hoje, enquanto todo mundo lembra do que aconteceu.

Esse hábito de controle de caixa leva de 10 a 15 minutos e evita o problema mais comum de quem tem balcão: chegar ao fim do mês sem saber para onde o dinheiro foi.

Controle de caixa e fluxo de caixa: qual a diferença

O controle de caixa é o registro do dia a dia: o que entrou e saiu hoje, em cada forma de pagamento, e se o saldo confere com o que está na gaveta, na conta e na maquininha.

O fluxo de caixa organiza essas movimentações ao longo do tempo. Ele mostra o que já aconteceu no mês e projeta o que ainda vai entrar e sair. Um alimenta o outro: sem controle de caixa diário bem feito, o fluxo de caixa nasce com dados errados.

Para aprofundar, veja como o Sebrae explica o que é e como controlar o fluxo de caixa.

Abertura de caixa: comece o controle de caixa com um valor conhecido

A abertura de caixa é o primeiro passo do dia. Você separa um valor em dinheiro para dar troco, chamado de fundo fixo ou fundo de troco, e anota quanto é. Conte as notas e moedas na frente de quem vai operar o caixa.

Use sempre o mesmo valor, por exemplo R$ 200,00. Assim, todo dia começa igual e a conta do fim do expediente fica simples.

No controle de caixa do dia, anote cada movimentação no momento em que ela acontece. Deixar para o fim do expediente é a principal causa de esquecimento. Separe sempre pela forma de pagamento, porque cada uma é conferida de um jeito:

  • Dinheiro: você confere contando as notas e moedas.
  • Pix: você confere no extrato ou no aplicativo do banco.
  • Cartão de débito: você confere no relatório da maquininha.
  • Cartão de crédito: você confere no relatório da maquininha. O valor da venda entra no dia, mas o dinheiro cai na conta depois.

Registre também as saídas pagas com o dinheiro do caixa: um café para a equipe, uma compra pequena de material, o pagamento de um entregador. Guarde o comprovante ou escreva o motivo. Saída sem registro é a principal origem de diferença no fechamento do controle de caixa.

Sangria e suprimento no controle de caixa: o que são e quando usar

Sangria é a retirada de dinheiro do caixa durante o dia, geralmente para guardar o excesso em local seguro, depositar no banco ou pagar um fornecedor.

Suprimento é o contrário: é o dinheiro que você coloca no caixa durante o dia, normalmente porque o troco está acabando. Você pode trazer notas menores do cofre ou trocar notas altas no banco.

No controle de caixa, as duas operações precisam de registro com valor, horário e quem fez. Elas não são venda nem despesa. Mudam o dinheiro de lugar, mas não alteram o resultado da empresa. Se você não anota a sangria, o fechamento mostra uma falta que não existe.

Fechamento do controle de caixa: confira o físico contra o registrado

No fim do expediente, faça a conta para cada forma de pagamento:

saldo inicial + entradas − saídas = saldo esperado

Depois, compare o saldo esperado com o valor conferido: o dinheiro contado na gaveta, o total do extrato do Pix e os totais dos relatórios da maquininha. A diferença é o valor conferido menos o saldo esperado. Veja um exemplo de um dia em uma loja:

Forma de pagamentoSaldo inicialEntradasSaídasSaldo esperadoValor conferidoDiferença
DinheiroR$ 200,00R$ 1.350,00R$ 1.030,00R$ 520,00R$ 510,00− R$ 10,00
PixR$ 0,00R$ 2.140,00R$ 0,00R$ 2.140,00R$ 2.140,00R$ 0,00
Cartão de débitoR$ 0,00R$ 980,00R$ 0,00R$ 980,00R$ 980,00R$ 0,00
Cartão de créditoR$ 0,00R$ 1.760,00R$ 0,00R$ 1.760,00R$ 1.760,00R$ 0,00
TotalR$ 200,00R$ 6.230,00R$ 1.030,00R$ 5.400,00R$ 5.390,00− R$ 10,00

Nas saídas em dinheiro, os R$ 1.030,00 incluem uma sangria de R$ 800,00 e R$ 230,00 de despesas pagas no caixa. A conta do dinheiro fica assim: 200 + 1.350 − 1.030 = 520. Na gaveta havia R$ 510,00, então faltam R$ 10,00. Nas demais formas, o valor conferido bate com o registrado.

Sobra e falta no controle de caixa: como tratar sem caça às bruxas

Diferença pequena acontece, geralmente por troco errado ou arredondamento. Chamamos isso de quebra de caixa. Ela pode ser falta, quando há menos dinheiro que o esperado, ou sobra, quando há mais. As duas importam, porque sobra também indica que algo foi registrado errado.

Quando houver diferença, siga uma ordem simples:

  1. Conte o dinheiro de novo, devagar.
  2. Revise os lançamentos do dia, procurando valor digitado errado ou venda duplicada.
  3. Verifique se alguma sangria, suprimento ou despesa ficou sem registro.
  4. Se não achar a causa, registre a diferença como quebra de caixa, com data e valor.

Uma diferença de R$ 10,00 de vez em quando é normal. A mesma diferença todo dia, no mesmo turno ou na mesma forma de pagamento, mostra um problema de processo que você pode corrigir com treinamento ou com um passo a mais no atendimento.

Defina um limite de tolerância no controle de caixa com a equipe, por exemplo, diferenças até determinado valor só são registradas. Acima dele, vocês investigam juntos.

Confira os recebíveis do cartão e leve os totais do dia para o controle financeiro

Recebível é o valor de uma venda no cartão que ainda vai entrar na sua conta. A venda no crédito, por exemplo, pode cair em parcelas ao longo dos meses. Por isso, o total vendido no cartão não é o valor que você recebe no dia.

No fechamento do controle de caixa, compare o total de vendas do relatório da maquininha com o que você registrou. Depois, quando o dinheiro cair na conta, compare o valor depositado com o previsto no extrato da maquininha. A diferença costuma vir da taxa cobrada pela operadora, que depende do seu contrato. Registre essa taxa como despesa para não achar que a venda foi menor.

O controle de caixa diário só serve para a gestão se os totais saírem do caderno ou da planilha do caixa e entrarem no controle financeiro da empresa. Faça isso todo dia, com os valores separados por forma de pagamento e por categoria: vendas de produtos, serviços, despesas pagas no caixa, sangrias e quebras.

Assim, no fim do mês você olha o fluxo de caixa e o resultado sem refazer conta. O dinheiro depositado no banco também deve aparecer como transferência do caixa para a conta bancária, não como nova receita.

O Fluxo de Caixa ajuda a automatizar o controle de caixa. Você lança entradas e saídas, mantém várias contas, incluindo uma para o caixa em dinheiro, e registra a sangria como transferência entre contas. Também pode conciliar o extrato do banco importando um arquivo OFX, acompanhar o fluxo de caixa realizado e projetado e ver o DRE organizado por categorias.

Erros comuns no controle de caixa diário

  • Misturar o dinheiro da empresa com o pessoal. Se você tira dinheiro do caixa para uso próprio, registre como retirada.
  • Pular o fechamento nos dias corridos. É justamente quando mais erros acontecem.
  • Não registrar sangria e suprimento. Isso cria faltas e sobras que não existem.
  • Deixar o dinheiro acumular na gaveta. Aumenta o risco de perda e de furto.
  • Fechar o caixa sozinho, sem conferência. Quando possível, peça que uma segunda pessoa confirme a contagem.
  • Ignorar a diferença pequena. Anote sempre. É o histórico que mostra o padrão.

Perguntas frequentes

Preciso fechar o caixa todos os dias?

Sim, se você recebe dinheiro ou tem movimento no balcão. No controle de caixa, conferir todo dia deixa a diferença pequena e fácil de explicar. Se você deixa acumular uma semana, fica difícil lembrar de cada venda e de cada saída.

Posso usar uma planilha para o controle de caixa?

Pode. Uma planilha com data, descrição, forma de pagamento, entrada e saída resolve no começo. O cuidado é manter o preenchimento diário e levar os totais para o controle financeiro geral, para não ter dois lugares com números diferentes. O Sebrae também mostra como gerenciar o fluxo de caixa no dia a dia.

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